A História da Quirinda DevTech: De um Cyber Café em Luanda a uma Empresa de Tecnologia
Como um jovem que aprendeu a programar no papel e trabalhava num cyber café criou uma empresa de tecnologia em Angola.
Quando o movimento diminuía no Cyber SM, Fabiano Quirinda aproveitava o silêncio para abrir o editor de código. O computador onde programava não era dele — era o computador do trabalho. Enquanto esperava o próximo cliente entrar pela porta, escrevia linhas de código para um projecto que ainda nem tinha nome.

Ninguém naquele cyber imaginava que dali surgiria uma empresa de tecnologia.
Uma consola e uma pergunta
A história começou muito antes do Cyber SM.
Ainda criança, Fabiano passava horas em frente a uma consola SEGA, fascinado com a forma como um conjunto de imagens conseguia criar mundos inteiros. Na altura não sabia como aqueles jogos eram feitos. Apenas sabia que alguém, em algum lugar, tinha sido capaz de construir aquilo.
A ideia ficou guardada.
Anos mais tarde, já adolescente, começou a procurar respostas sozinho. Sem formação universitária em engenharia informática, encontrou na internet o seu principal professor. Vídeos no YouTube, cursos gratuitos e documentação técnica passaram a fazer parte da rotina diária.
O computador de casa era partilhado pela família. Muitas vezes era preciso esperar que todos terminassem de o utilizar antes de finalmente começar a estudar. Quando chegava a sua vez, já era noite.
Foi nessas noites silenciosas que surgiram as primeiras linhas de código.
Nem sempre havia um computador disponível para testar o que aprendia. Algumas vezes, os algoritmos eram escritos num caderno, linha após linha, apenas para compreender a lógica. Muitos desses programas nunca chegaram a ser executados. Ainda assim, cada exercício representava um pequeno avanço.
Aprender programação tornou-se um processo de persistência muito mais do que de conveniência.
Dezembro de 2024
Depois de vários anos de aprendizagem autodidata e de inúmeros projetos pessoais, Fabiano decidiu dar um nome àquilo que até então era apenas uma ambição. Nascia oficialmente a Quirinda DevTech.
A empresa ainda não tinha clientes, equipa ou investidores.
Também não tinha um escritório.
O que existia era uma visão bastante simples: desenvolver tecnologia a partir da realidade angolana, pensada para resolver problemas concretos que observava todos os dias.
Fabiano trabalhava no Cyber SM, ganhando um salário modesto. O primeiro logotipo foi criado por ele mesmo. Ao longo dos meses seguintes, foi trocando-o várias vezes até que em 2025 decidisse pelo logotipo oficial que representa a marca hoje.
Todos os dias, o mesmo problema
Durante o dia, o movimento no Cyber SM era constante. Estudantes chegavam para imprimir trabalhos, profissionais pediam ajuda para preencher documentos, pequenos empresários apareciam com ficheiros que precisavam de ser organizados ou convertidos.
Para a maioria das pessoas, aquele era apenas mais um cyber café. Para Fabiano, era algo mais.
Cada cliente que entrava trazia consigo uma necessidade diferente. Alguns precisavam de formatar trabalhos académicos. Outros queriam imprimir documentos para concursos públicos. Havia quem precisasse de digitalizar certificados, criar currículos ou preencher formulários online.
À primeira vista, eram pedidos completamente distintos.
Com o tempo, começaram a revelar um padrão.
A maioria das pessoas não tinha dificuldade em utilizar um computador. O verdadeiro problema estava na burocracia, na repetição de tarefas e na falta de ferramentas adaptadas à realidade angolana.
Foi ali que nasceu uma pergunta que mudaria o rumo da empresa: e se parte desse trabalho pudesse ser automatizada?
A construção
O computador do cyber, mais potente que o PC de casa de Fabiano, tornou-se o servidor de desenvolvimento improvisado da Quirinda DevTech. Nas horas de pouco movimento, especialmente durante épocas de férias, programava intensamente, construindo os alicerces do que viria a ser o SaberAngola.
Nos primeiros meses, a actividade foi intensa. Vários protótipos foram criados e descartados. O branding foi ajustado múltiplas vezes — o próprio logotipo passou por diversas iterações até existir uma identidade visual sólida. A arquitectura técnica começou a tomar forma com Django no backend e Next.js no frontend.
Não houve lançamento grandioso, nem press release, nem evento de apresentação. Houve trabalho silencioso, consistente e obsessivo.
O nascimento do SaberAngola
A visão original era criar uma plataforma de cursos. Fabiano começou por aí, construindo o primeiro protótipo com essa ideia em mente.
Mas à medida que observava os utilizadores do cyber, percebeu que o que eles realmente precisavam não eram cursos — eram documentos.
Estudantes que apareciam todos os dias com o mesmo problema: formatar trabalhos académicos. Profissionais que precisavam de currículos actualizados. Empresários que dependiam de cybers para emitir facturas e declarações.
O que parecia ser o produto não era. Os cursos eram o veículo para descobrir o produto real.
A transição não foi uma mudança de direcção. Foi uma descoberta de direcção.
A história da Quirinda DevTech ainda está a ser escrita. O que se sabe é que começou num cyber café, com um jovem que observava os problemas das pessoas e se perguntava se havia uma forma melhor de os resolver.

Equipa SaberAngola
Conteúdo Editorial
Equipa do SaberAngola dedicada a produzir conteúdo educativo e prático para a comunidade angolana.
Pronto para criar os seus documentos?
O SaberAngola ajuda-o a gerar documentos profissionais em minutos, seguindo todas as normas angolanas.


